Já houve tempos em que escrever textos introdutórios era uma actividade que encarava, até, com algum prazer e entusiasmo: hoje, não passa de mais uma razão para ficar demasiado tempo em frente a um ecrã de computador, sem saber ao certo por onde começar. Ainda assim, o dever impõe-se, e estreia nenhuma passa por mim sem a devida notificação. A ideia de deixar seja o que for ao acaso mortifica-me – sou, afinal, ligeiramente obsessivo-compulsiva. Comecemos, então.

De forma muito resumida, este blog nasce da necessidade de um espaço para exteriorizar as minhas opiniões – que, para o melhor e para o pior, são algo que tenho em quantidade suficiente para dar e vender (escolho, então, dá-las, como pessoa altruísta que sou). Acontece que, criança estranha que sempre demonstrei ser, aprendi a ler e a escrever “sozinha” (leia-se, de forma misteriosa: se bem que, pessoalmente, culpo a Rua Sésamo e a minha fantástica ama, que adorava soletrar-me os nomes das marcas nas caixas de papa) com a idade perturbadora de quatro anos, não tendo, desde aí, parado de fazer nenhuma das coisas. Com efeito, absorver e organizar palavras são duas actividades que parecem aumentar grandemente os níveis de serotonina no meu cérebro, e de que não pretendo abdicar nunca (ou, vá, enquanto me puder afirmar possuidora das minhas capacidades mentais); por outro lado, sou, também desde muito nova, uma pessoa de muitas paixões, dedicada a várias formas de arte e devoradora voraz de algumas. É, então, do casamento feliz entre o amor às coisas e o amor à crítica (e, quer-me parecer, de uma boa dose de amor a mim) que surge o hábito de registar os pensamentos que as diferentes obras que leio me suscitam invariavelmente.

A inauguração deste espaço não se reveste de promessas de actividade regular: é uma decisão que tomo desde já e que, acreditem, se mostrará benéfica quer para mim, quer para vocês, leitores. A verdade é que, na fachada a que gostamos de chamar “vida real”, me encontro num curso superior que consome grande parte do meu tempo, e tenho, além disso, um universo relacional feliz e saudavelmente ocupado; acrescem ainda uma série de actividades paralelas adicionais que não é relevante listar, mas que contribuem para a conclusão óbvia deste parágrafo: não é todos os dias (e alturas haverá em que não será sequer todas as semanas) que possuo disponibilidade para dar sinais de mim por estas bandas. Apesar disso, tentarei existir aqui o mais possível.

Encontrarão aqui material recente, escrito no próprio dia da publicação, mas também opiniões mais antigas, que nunca haviam visto a luz do dia e que, agora, “repesco” dos meus arquivos pessoais para este outlet; esses casos encontrar-se-ão devidamente assinalados. Por outro lado, algumas críticas mostrar-se-ão mais profissionais, enquanto outras não passarão de pensamentos soltos; esta é uma variação que devem esperar à partida, pois nem sempre a disposição natural se canaliza para a mesma forma de expressão. Ainda assim, haverá sempre, espero, material suficiente para todos os gostos.

Bom, penso ter coberto todos os aspectos que se poderiam esperar numa introdução “como deve ser”. Como virão a verificar, escrever pouco sobre seja o que for é uma cena que não me assiste muito; na generalidade, tendo a ver isso como uma coisa boa. Espero que gostem do que lêem, e que este espaço vos ajude na escolha de material para explorar.

With that said, good night, and good luck!

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