Um dia acordei,
e percebi que odiava
mais do que amava.
Talvez fosse do tempo,
da escuridão do céu,
mas não: como culpar o céu
de reflectir a sombra infinita
no interior dos meus olhos?
Dos meus olhos cansados,
tão cansados: dos dias
cinzentos e dos suspiros
e da vida e de te conhecer.

Um dia acordei,
e quis não ter acordado.
Quis dormir até ao fim,
nem eu sei bem de quê;
até parar, até parar de doer.
Quis que o mundo sofresse
a minha dor, e que girasse
e mudasse, apenas para mim,
sem jamais sair do sítio.
Quis estar fora do mundo.
Mas como estar fora do mundo
sem poder estar fora de mim?

Anúncios