Devo-te a ti
cada verso,
cada carta que escrevi.
A cada palavra minha
projectada destes lábios
secos e gastos
contra a tua parede,
devo o sangue
com que escrevi outras,
como aquelas, como estas,
mais minhas
do que se tas desse;
só minhas.
Foste voz muda em mim,
e sangue e lágrimas
que só eu vi,
e ao desfazer-me,
fizeste-me, afinal.

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