Sou uma jogadora do mundo;
uma jogadora que não joga
por vício ou pelo prémio;
apenas pelo jogo, pelo fundo.

Sou uma jogadora do mundo,
e a crueldade e o egoísmo
não são maldade em mim;
apenas espinhos numa rosa,
um inevitável precipício;
e também eu me pico e sangro;
também eu encaro o abismo.

Sou uma jogadora do mundo,
e não é o meu coração
que lança os dados
que te trespassam como setas;
é a fera, a leoa em mim
que caça, não a mulher;
não faço promessas.

Sou uma jogadora do mundo,
e, de tudo o que nele existe,
posso apenas oferecer-te
a dor mais cruelmente doce,
o êxtase mais envenenado,
a felicidade mais triste.

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