Apetece-me pegar em ti
e levar-te comigo
por esses campos fora,
como um raio de sol
num abraço de vento.

Quero mostrar-te
a beleza da tristeza,
o calor da chuva,
a serenidade do trovão,
o infinito da natureza,
e tirar-te com doçura
todas as dúvidas
que te atormentam;
sussurrar-te ao ouvido
que eu e tu não passamos
de flores de Inverno;
flores sem nome,
flores sem sítio;
flores desterradas,
precocemente roubadas
a memórias passadas,
a Primaveras distantes;
efémeros botões,
eternos errantes.

Vem, voa comigo;
não pertencemos
a este mundo.
Deixa-me levar-te
de volta a esse tempo;
esse tempo das memórias
em que não existia tempo,
e em que não fazia mal
esquecer o pensamento.

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