Quando for,
Levar-te-ei selado nos lábios,
Com os milhões de beijos doces
Que ficaram por dar.

Serás memória feita pedra
No nosso leito consumado,
Livre do bater das marés,
Livre de relógios enferrujados.

Será o teu sorriso terno que verei
Em todos os que encontrar,
E no sal das lágrimas que provar
Recordar-te-ei como gaivota solitária
Que nesta, entre mil praias, escolheu pousar,
Para durante um instante infinito me ter
Sobre sangue e pele e areia quentes,
Antes de regressar ao mar.

Não envelheceremos nunca,
Juntos ou separados;
Para nós não estão nas cartas
Cadeiras de embalo em terraços,
Em que vezes e vezes sem conta,
Como estátuas congeladas pelo tempo,
Nos sentaríamos para repetir
A história do nosso amor
Aos nossos cabelos brancos,
Aos nossos netos, ao vento.

Quando for,
Virás seguro em cada canto de mim.
Serei o teu templo abandonado,
A tua eterna Primavera em flor;
O altar que, sem te ter,
Não te poderá jamais perder.

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