Seguras-me a mão
E eu sinto nela aquele toque:
O calor inconfundível
Do frio da última vez.

Não sei quando te verei,
Mas as lágrimas não se soltam;
Sabem bem todo o nada do sal que são.

Passo o meu último pedido
Pela bola que me sufoca a garganta:
Não fales.

Fecho os olhos por aquele segundo eterno,
Aquele segundo que, sendo menos do que nada,
É o nada que é só nosso;
Selo-os a ouro líquido, e sonho:
Sonho com a outra vida de que precisaria
Para te mostrar a que me deste…

Parece-me que hoje, tal como ontem,
Tal como nos lábios com que te beijei desesperadamente
E como na faca que com a mesma paixão te encostei ao pescoço,
Não tenho mais do que a humana que sou,
Correntes e beleza trágica e tudo.

Sei de cor tudo o que te quero dizer,
Todas as nuances que pratiquei para ti
Como uma adolescente,
A adolescente velha que me fizeste ver no teu espelho:
Mas não te insultarei com palavras.
Decidi-o agora, nos teus olhos, no melhor de ti;
Não te insultarei com o melhor de mim.

Nós.

São essas três as únicas letras finais neste final sem fim:
As que resumem o mundo, e tudo o que o mundo teria de belo
Se não fosse este mundo,
Se não tivesse tempo nem lugar.

Nós.

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